Análise da conformidade do uso de compressores de ar microroilizados em processos farmacêuticos
A produção farmacêutica apresenta exigências extremamente rigorosas quanto à qualidade do ar comprimido, sendo necessária uma avaliação abrangente sob três dimensões: controle da contaminação, conformidade regulamentar e adequação ao processo. A seguir, apresenta-se uma análise profissional fundamentada nas normas do setor e nas práticas técnicas:
1. Risco de qualidade na produção de medicamentos
- Risco de contaminação por óleo
Os compressores de ar lubrificados a óleo garantem a lubrificação e a vedação dos rolamentos por meio do óleo de lubrificação, mas durante o funcionamento podem ocorrer arrastes de óleo. Dados experimentais indicam que, mesmo em condições operacionais ideais, o teor de óleo no ar descarregado pode atingir 0,01–0,1 mg/ m³. Esse tipo de óleo pode entrar no processo produtivo sob a forma de aerossol ou de vapor, apresentando os seguintes riscos:
- Contaminação de medicamentos: Os óleos reagem quimicamente com os componentes farmacêuticos, levando à degradação dos princípios ativos ou à formação de impurezas desconhecidas.
- Corrosão do equipamento: Os óleos depositam‑se na parede interna das tubulações, favorecendo a proliferação de microrganismos e a formação de biofilmes, o que aumenta o risco de contaminação do sistema de processo.
- Recall de produtosNa produção de preparações estéreis, a contaminação por óleos pode provocar o excedimento dos limites microbiológicos, levando à rejeição de todo o lote do produto.
- Desafios do controle de partículas
Os compressores de ar com lubrificação por óleo devem ser equipados com sistemas de filtragem em múltiplos estágios para reduzir o teor de óleo; no entanto, os filtros apresentam risco de penetração. Por exemplo, se a eficiência do filtro inicial for insuficiente, o filtro de precisão situado a jusante pode falhar prematuramente devido à sobrecarga, permitindo a passagem de partículas.
II. Requisitos dos regulamentos e das normas setoriais
- Constrangimento por normas internacionais
De acordo com a norma ISO 8573 “Ar comprimido”, o ar comprimido utilizado na produção de medicamentos deve atender às seguintes exigências:
- Teor de óleo: ≤0,01 mg/ m³ (Nível da Classe 1), ao passo que os compressores de ar a óleo são de difícil conformidade estável com os padrões.
- Partículas: Partículas de até 0,1 μm (classe 1), devendo ser filtradas por meio de filtros de alta eficiência.
- Requisitos de fiscalização de medicamentos
O Apêndice do GMP da China, intitulado “Medicamentos Estéreis”, estabelece expressamente que:
- O ar comprimido em contato direto com os medicamentos deve ser submetido a filtragem esterilizante, e a integridade do filtro deve ser verificada periodicamente.
- O ar comprimido utilizado na produção de medicamentos não estéreis deve ter sua carga microbiana controlada, a fim de prevenir a contaminação cruzada.
3. Análise da adequação do processo
- Proibição de processos de alto risco
As seguintes situações são estritamente proibidas para o uso de compressores de ar com lubrificação por óleo em quantidade reduzida:
- Produção de preparações estéreis: No caso de preparações injetáveis, como liofilizados em via injetável, os óleos podem comprometer a barreira estéril.
- Produção de formulações inalatórias: Os óleos podem depositar-se na superfície das partículas nebulizadas, comprometendo a dose de fármaco administrada.
- Fermentação de produtos biológicos: Os óleos inibem o metabolismo microbiano, resultando na redução da eficiência da fermentação.
- Processos de baixo risco devem ser utilizados com cautela
Nas seguintes situações, caso seja necessário utilizar um compressor de ar com lubrificação por óleo em quantidade reduzida, devem ser cumpridas as seguintes condições:
- Configuração de um sistema de filtragem em três estágios (remoção de óleo na etapa inicial + remoção de partículas na etapa intermediária + eliminação de microrganismos na etapa final).
- Instale um medidor de teor de óleo em linha para monitorar em tempo real o teor de óleo.
- Todos os anos são realizados o ensaio de integridade dos filtros e a auditoria da qualidade do ar comprimido.
4. Alternativas e trajetórias tecnológicas
- Compressor de ar isento de óleo
Adota a lubrificação por água ou a tecnologia de parafuso sem óleo, eliminando, já na origem, o risco de contaminação por óleo. Equipamentos desse tipo já alcançaram:
- Teor de óleo ≤ 0,003 mg/ m³, muito inferior ao dos modelos de microóleo.
- Os custos de manutenção diminuíram 30% devido à eliminação da necessidade de substituir o filtro de óleo.
- Reforma do compressor de ar com lubrificação por óleo em quantidade reduzida
Caso já tenha sido instalado equipamento de lubrificação por micro‑óleo, é possível reclassificar o seu uso mediante as seguintes medidas:
- Foi instalado um dispositivo de adsorção por carvão ativado para remoção dos compostos oleosos em fase gasosa.
- Reduza o intervalo de substituição do filtro, garantindo uma eficiência de filtragem ≥ 99.999%.
- Estabelecer um plano de monitoramento da qualidade do ar comprimido, com amostragem e análise realizadas a cada trimestre.
Conclusão
Ar comprimido para processos industriais farmacêuticosNão é recomendado o uso de compressores de ar com lubrificação por óleo em quantidade reduzida., sobretudo nos processos de alto risco que envolvem o contato direto com medicamentos. Caso seja necessário recorrer a tais equipamentos por motivos especiais, é imprescindível adotar medidas como filtragem múltipla, monitoramento em linha e auditorias periódicas, a fim de manter os riscos dentro de limites aceitáveis. Recomenda-se dar prioridade ao uso de compressores de ar isentos de óleo, associados a sistemas de purificação de alta eficiência, para assegurar a qualidade dos medicamentos e a segurança dos pacientes.